Destaques Literários

Ao nosso amor

Nada importa menos ao nosso amor
que a ingênua rima em flor – rosa nomeada.
Pouco importa, ainda que um soneto –
pouco importa a forma exata, a rima
ao nosso amor pouco importa.

Nada importa, amor, se lhe dou forma
no leito, em lugar e fora de hora
se cedo ou tarde, não importa,
se madrugada clara ou à nona hora.

Nada importa menos ao nosso amor
o tempo que sem cessar conforma
o outro ao desalento, ao desamor –
ao nosso amor pouco importa.

Ao nosso amor nada importa
menos. Pois, sem cessar, ele se conforma
ao leito como o rio ao que a chuva forma.

Ao nosso amor pouco importa o som
dos outros, a balbúrdia, bailado ou alaúde
pois a todos ele contorna: ao amor, à paz
e o aconchego sem alarido; e amiúde
nosso amor pouco se importa
com o que se passa lá fora…

Nada em nosso amor seja triste,
pois que à lágrima opor-se-á o vento –
no silêncio de nossas madrugadas estelares.

Só nós dois, amor, resistimos sob a chuva
ao frio e ao calor – entrelaçados, sim;
não importa – nada – amor, nem goteiras
de um telhado antigo e sob a chuva;
um pistilo se anunciando calmo,
um que duas estalactites soam
plânctons, íons, átomos de um só.

Pouco importa ao nosso amor a morte.

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Sobre Adalberto de Queiroz

Adalberto de Queiroz (pseudônimo –  Beto Queiroz), nasceu e vive em Goiânia,formou-se em Comunicação Social (URGS), depois em Jornalismo (UFG),  Pós-graduado em Marketing pela FGV/Rio; desde 2014 dedica-se, exclusivamente,  à cultura (poesia, crítica literária e animador literário). Publicou vários livros: Frágil Armação (Poesia), Cadernos de Sizenando (poesia e crônica), Antologia poética e  Destino Palavra (Poesia).